G1 e Geekie lançam plataforma de estudos para o Enem 2014

A Geekie, startup de tecnologia aplicada à educação, abre nesta quinta-feira (24) o Geekie Games, a plataforma on-line de estudos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com divulgação do G1. O site, de uso gratuito, oferece um plano de estudos personalizados para cada usuário e três simulados do Enem para ajudar na preparação dos estudantes (ACESSE AQUI A PLATAFORMA).

Para participar, é preciso fazer um cadastro grátis no próprio site. A primeira atividade sugerida é um teste diagnóstico. O candidato então recebe um plano de estudos personalizado baseado nos seus resultados, apontando os pontos fortes e fracos. Cada passo que o estudante dá na plataforma é registrado e, à medida que ele vai avançando, o programa se ajusta às suas necessidades.

Três simulados
Até novembro, o Geekie Games oferecerá três simulados seguindo as mesmas regras do exame do Ministério da Educação para que os estudantes testem a evolução do seu desempenho. O simulado da Geekie usa a TRI (Teoria de Resposta ao Item), a mesma metodologia utilizada no Enem, por isso permite fazer uma estimativa de quanto o candidato tiraria na prova. Os alunos poderão testar seus conhecimentos no primeiro simulado até o dia 31 de agosto.

Assim como o Enem, o simulado é dividido em duas partes, cada uma com duração de quatro horas e meia. A primeira parte traz dois cadernos de perguntas: um deles com 45 perguntas de ciências humanas e 45 perguntas de ciências da natureza, assim como o primeiro dia de provas do Enem.

A segunda parte traz 45 questões de linguagens e 45 questões de matemática. Depois que o estudante começa a responder os cadernos de questões, não é mais possível parar, assim como a prova real. Também não há opção de fazer o mesmo simulado mais de uma vez.

Outros dois simulados estarão disponíveis entre os dias 1º de setembro e 30 de setembro, e 1º de outubro e 9 de novembro.

Uso da plataforma ajuda a aumentar a nota
O Enem será aplicado nos dias 8 e 9 de novembro para um número recorde de inscritos: 8.721.946 estudantes. No ano passado, mais de dois milhões de estudantes se cadastraram, e 600 mil deles utilizaram o sistema ativamente. “Em 2013 a plataforma ficou aberta por 60 dias. Agora serão cinco meses até o Enem. Esperamos ter mais de 3 milhões de alunos cadastrados”, diz Claudio Sassaki, co-fundador da Geekie.

Segundo a empresa, a análise do desempenho dos alunos cadastrados que fizeram todos os simulados em 2013 mostra que tiveram uma melhora de 25% a 30% na nota. Além disso, secretarias estaduais já firmaram acordo para oferecer o conteúdo aos alunos da rede pública.

 

3º A

Otavio Fiuza, 32

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Qual a temperatura máxima e mínima que o corpo humano consegue aguentar?

termometro

Não é novidade que o corpo humano não é invencível, e quando se trata de exposição à temperaturas extremas não poderia ser diferente.  A temperatura que podemos aguentar ao extremo depende das condições do organismo, variação da temperatura e do tempo de exposição que o corpo fica a temperatura. Embora isso possa variar de pessoa para pessoa, há uma média.

Quando ficamos em uma temperatura muito alta, o corpo sofre hipertermia. Os sintomas são desidratação, boca seca, suor, pele flácida e a parada do funcionamento dos órgãos. Quando se trata de uma temperatura muito baixa, nós sofremos hipotermia. Os sintomas são tremor, contração muscular e eventualmente a parada do funcionamento dos órgãos.

Foi registrado durante o tempo que um homem, o médico Charles Blangden, chegou a suportar uma temperatura de 105ºC por 15 minutos. Mas registros mais recentes com testes menos perigosos foram capazes de revelar que o homem pode aguentar uma temperatura de 127ºC por 20 minutos. De acordo com estudos da medicina, quando o corpo humano está abaixo de -27ºC, a pessoa está tecnicamente morta.

 

Fonte: Fatos Desconhecidos. Acesse:http://www.fatosdesconhecidos.com.br/qual-temperatura-maxima-e-minima-que-o-corpo-humano-consegue-aguentar/
G3- 3ºB – Vinícius Teixeira nº39

Mistério das crateras: mais um buraco surge na Sibéria

A nova cratera de Yamal foi avistada no distrito de Taz, próximo à vila de Antipayuta, e tem cerca de 15 metros de diâmetroA nova cratera de Yamal foi avistada no distrito de Taz, próximo à vila de Antipayuta, e tem cerca de 15 metros de diâmetro

Uma terceira cratera foi descoberta na Sibéria, segundo jornais russos. Embora seja bem menor do que a primeira divulgada em julho, com seus 70 metros de profundidade e 30 metros de diâmetro, a cratera tem formato cônico e abertura de quatro metros de diâmetro, com profundidade estimada entre 60 e 100 metros. A formação está localizada na Península de Taymyr, no distrito de Taz, próximo à vila de Antipayuta, uma das regiões mais remotas da Rússia.

A cratera foi descoberta acidentalmente por pastores de renas que quase caíram no buraco. Uma segunda cratera já havia sido encontrada na região de Yamal, com 15 metros de diâmetro.

De acordo com Mikhail Lapsui, membro do parlamento regional –ou Duma— a cratera parece ser resultado de uma explosão subterrânea. “Eu voei de helicóptero para inspecionar essa cratera”, disse ele. “Tem terra do lado de fora nas bordas, como se tivesse sido jogada para fora após uma explosão”.

Ele afirmou que, conforme relatos de pastores que moram na área, o buraco teria se formado por volta de 27 de setembro de 2013.

“Observadores dão várias versões sobre a cratera”, afirmou ao jornal “Siberian Times”. “De acordo com um deles, no começo havia fumaça saindo do buraco, depois havia uma luz forte. Na segunda versão, teria sido o local da queda de um meteoro.”

Ainda que menores, as duas crateras são semelhantes em formato à chamada megacratera –e representam um desafio para os cientistas russos.

O primeiro buraco recebeu atenção mundial ao ser avistado por pilotos de helicóptero a 32 km de uma usina de gás em Bovanenkov. Localizada na província de Yamal, que na língua local significa “fim do mundo”, a cratera já ficou conhecida como o “buraco do fim do mundo”.

“As teorias [do surgimento da cratera] vão de meteoritos, mísseis até um coquetel explosivo de gás metano que teria levado a uma explosão”, reportou o jornal Siberian Times.

Anna Kurchatova, do Centro de Pesquisa Científica do Sub-Ártico, acha que a cratera foi formada por uma mistura de água, sal e gás, capaz de causar uma explosão subterrânea, provavelmente ocasionada pelo aquecimento global.

Amostras do solo e de gelo encontradas na cratera foram levadas para laboratórios. Segundo os pesquisadores, a cratera surgiu há relativamente pouco tempo, talvez um ou dois anos.

A cientista chefe do Instituto Criosfera da Terra, Marina Leibman, disse ao site URA.RU: “Já me falaram dessa segunda cratera em Yamal, e vi algumas fotos.”

“Sem dúvida, precisamos estudar todas as formações, até para prever a sua ocorrência. Cada nova cratera oferece informação adicional para os cientistas”, disse.

Link para video mostrando a cratera: https://www.youtube.com/watch?v=KrQPl6__iZk

G2-3°A N°23

 

EUA anunciam novas sanções contra Rússia por crise na Ucrânia.

Três bancos e uma empresa russa entraram para a lista de sancionados.
União Europeia também chegou a acordo sobre novas sanções.

O presidente Barack Obama declarou nesta terça-feira (29) que os Estados Unidos se juntaram à União Europeia na imposição de novas sanções contra os setores de energia, indústria de armamentos e financeiro da Rússia, por seu apoio aos rebeldes no leste da Ucrânia.

“As maiores sanções que estamos anunciando hoje continuarão aumentando a pressão sobre a Rússia, incluindo seus aliados e empresas que apoiam as atividades ilegais da Rússia na Ucrânia”, acrescentou.

“Se a Rússia continuar neste caminho atual, os custos à Rússia continuarão a crescer”, disse Obama.

De acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA, o país aplicará sanções contra o banco VTB, o Banco de Moscou, o Banco de Agricultura da Rússia, e a empresa United Shipbuilding.

Com isso, a lista de bancos russos que recebem sanções dos EUA aumenta para quase todos os maiores bancos com mais de 50% participação estatal, com exceção do Sberbank.

Diego R. Ch. Ruiz  3

As sanções contra os três bancos proíbem cidadãos ou empresas dos Estados Unidos de lidar com vencimentos de dívidas por mais de 90 dias ou de realizar novas ações.

As sanções aplicadas à empresa Shipbuilding, baseada em São Petersburgo, congelam qualquer ativo que a ela tenha nos Estados Unidos e proíbe transações norte-americanas.

Sanções europeias
Nesta terça mais cedo, os governos da União Europeia (UE) alcançaram um acordo para impor novas sanções econômicas à Rússia, tendo como alvo os setores de petróleo, defesa, materiais de uso civil e militar, e tecnologias sensíveis.

As sanções vão ser revistas após três meses, disse um diplomata.Reunidos em Bruxelas, os embaixadores dos 28 países membros do bloco discutiam desde cedo a adotação de novas sanções que incluiriam uma restrição aos bancos públicos russos de operar no mercado financeiro europeu, proibição à compra e venda de armamento militar, bem como restrições à venda de material com dupla utilização (civil e militar) ou destinado à indústria petrolífera russa.

Os europeus também decidiram bloquear os bens de quatro empresários russos ligados ao presidente Putin, acusados de se beneficiar da anexação da Crimeia ou de contribuir ativamente para a desestabilização do leste da Ucrânia.

Até o momento, a UE havia privilegiado sanções contra autoridades políticas e da segurança russas e ucranianas envolvidas diretamente na desestabilização da Ucrânia e na anexação da Crimeia, com a intenção de pressionar o governo russo a mudar de atitude em relação a crise.

Com esta nova série de sanções, o bloco dá um passo importante por tratar-se de medidas que atingirão pela primeira vez setores econômicos importantes da Rússia, assumindo o risco de prejudicar sua própria economia.

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, afirmou que as novas sanções são uma “forte advertência” a Moscou, mas podem ser revertidas.

A mudança de posicionamento ocorreu após a queda de um avião civil da companhia Malaysia Airlines no leste da Ucrânia com quase 300 pessoas a bordo, incluindo muitos holandeses.

Diego Rodrigues 3°B.

Venha ver o pôr do sol – Lygia Fagundes Telles

Ela subiu sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro, algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil era a única nota viva na quietude da tarde.


Ele a esperava encostado a uma árvore. Esguio e magro, metido num largo blusão azul-marinho, cabelos crescidos e desalinhados, tinham um jeito jovial de estudante.
– Minha querida Raquel.
Ela encarou-o, séria. E olhou para os próprios sapatos.
– Vejam que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do taxi lá longe, jamais ele chegaria aqui em cima.

Ele sorriu entre malicioso e ingênuo.
– Jamais, não é? Pensei que viesse vestida esportivamente e agora me aparece nessa elegância…Quando você andava comigo, usava uns sapatões de sete-léguas, lembra?
– Foi para falar sobre isso que você me fez subir até aqui? – perguntou ela, guardando as luvas na bolsa. Tirou um cigarro. – Hem?!
– Ah, Raquel… – e ele tomou-a pelo braço rindo.
– Você está uma coisa de linda. E fuma agora uns cigarrinhos pilantras, azul e dourado…Juro que eu tinha que ver uma vez toda essa beleza, sentir esse perfume. Então fiz mal?
– Podia ter escolhido um outro lugar, não? – Abrandara a voz – E que é isso aí? Um cemitério?
Ele voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro, carcomido pela ferrugem.
– Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo – acrescentou, lançando um olhar às crianças rodando na sua ciranda. Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro. Sorriu. – Ricardo e suas idéias. E agora? Qual é o programa?
Brandamente ele a tomou pela cintura.
– Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr do sol mais lindo do mundo.
Perplexa, ela encarou-o um instante. E vergou a cabeça para trás numa risada.
– Ver o pôr do sol!…Ah, meu Deus…Fabuloso, fabuloso!…Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longe para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma! E para quê? Para ver o pôr do sol num cemitério…
Ele riu também, afetando encabulamento como um menino pilhado em falta.
– Raquel minha querida, não faça assim comigo. Você sabe que eu gostaria era de te levar ao meu apartamento, mas fiquei mais pobre ainda, como se isso fosse possível. Moro agora numa pensão horrenda, a dona é uma Medusa que vive espiando pelo buraco da fechadura…
– E você acha que eu iria?
– Não se zangue, sei que não iria, você está sendo fidelíssima. Então pensei, se pudéssemos conversar um instante numa rua afastada…- disse ele, aproximando-se mais. Acariciou-lhe o braço com as pontas dos dedos. Ficou sério. E aos poucos, inúmeras rugazinhas foram se formando em redor dos seus olhos ligeiramente apertados. Os leques de rugas se aprofundaram numa expressão astuta. Não era nesse instante tão jovem como aparentava. Mas logo sorriu e a rede de rugas desapareceu sem deixar vestígio. Voltou-lhe novamente o ar inexperiente e meio desatento –Você fez bem em vir.
– Quer dizer que o programa… E não podíamos tomar alguma coisa num bar?
– Estou sem dinheiro, meu anjo, vê se entende.
– Mas eu pago.
– Com o dinheiro dele? Prefiro beber formicida. Escolhi este passeio porque é de graça e muito decente, não pode haver passeio mais decente, não concorda comigo? Até romântico.
Ela olhou em redor. Puxou o braço que ele apertava.
– Foi um risco enorme Ricardo. Ele é ciumentíssimo. Está farto de saber que tive meus casos. Se nos pilha juntos, então sim, quero ver se alguma das suas fabulosas idéias vai me consertar a vida.
– Mas me lembrei deste lugar justamente porque não quero que você se arrisque, meu anjo. Não tem lugar mais discreto do que um cemitério abandonado, veja, completamente abandonado – prosseguiu ele, abrindo o portão. Os velhos gonzos gemeram. – Jamais seu amigo ou um amigo do seu amigo saberá que estivemos aqui.
– É um risco enorme, já disse . Não insista nessas brincadeiras, por favor. E se vem um enterro? Não suporto enterros.
– Mas enterro de quem? Raquel, Raquel, quantas vezes preciso repetir a mesma coisa?! Há séculos ninguém mais é enterrado aqui, acho que nem os ossos sobraram, que bobagem. Vem comigo, pode me dar o braço, não tenha medo…
O mato rasteiro dominava tudo. E, não satisfeito de ter se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrando-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com a sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios da morte. Foram andando vagarosamente pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos medalhões de retratos esmaltados.
– É imenso, hem? E tão miserável, nunca vi um cemitério mais miserável, é deprimente – exclamou ela atirando a ponta do cigarro na direção de um anjinho de cabeça decepada.- Vamos embora, Ricardo, chega.
– Ah, Raquel, olha um pouco para esta tarde! Deprimente por quê? Não sei onde foi que eu li, a beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da tarde, está no crepúsculo, nesse meio-tom, nessa ambigüidade. Estou lhe dando um crepúsculo numa bandeja e você se queixa.
– Não gosto de cemitério, já disse. E ainda mais cemitério pobre.
Delicadamente ele beijou-lhe a mão.
– Você prometeu dar um fim de tarde a este seu escravo.
– É, mas fiz mal. Pode ser muito engraçado, mas não quero me arriscar mais.
– Ele é tão rico assim?
– Riquíssimo. Vai me levar agora numa viagem fabulosa até o Oriente. Já ouviu falar no Oriente? Vamos até o Oriente, meu caro…
Ele apanhou um pedregulho e fechou-o na mão. A pequenina rede de rugas voltou a se estender em redor dos seus olhos. A fisionomia, tão aberta e lisa, repentinamente escureceu, envelhecida. Mas logo o sorriso reapareceu e as rugazinhas sumiram.
– Eu também te levei um dia para passear de barco, lembra?
Recostando a cabeça no ombro do homem, ela retardou o passo.
– Sabe Ricardo, acho que você é mesmo tantã…Mas, apesar de tudo, tenho às vezes saudade daquele tempo. Que ano aquele! Palavra que, quando penso, não entendo até hoje como agüentei tanto, imagine um ano.
– É que você tinha lido A dama das Camélias, ficou assim toda frágil, toda sentimental. E agora? Que romance você está lendo agora. Hem?
– Nenhum – respondeu ela, franzindo os lábios. Deteve-se para ler a inscrição de uma laje despedaçada: – A minha querida esposa, eternas saudades – leu em voz baixa. Fez um muxoxo.- Pois sim. Durou pouco essa eternidade.
Ele atirou o pedregulho num canteiro ressequido.
Mas é esse abandono na morte que faz o encanto disto. Não se encontra mais a menor intervenção dos vivos, a estúpida intervenção dos vivos. Veja- disse, apontando uma sepultura fendida, a erva daninha brotando insólita de dentro da fenda -, o musgo já cobriu o nome na pedra. Por cima do musgo, ainda virão as raízes, depois as folhas…Esta a morte perfeita, nem lembrança, nem saudade, nem o nome sequer. Nem isso.
Ela aconchegou-se mais a ele. Bocejou.
– Está bem, mas agora vamos embora que já me diverti muito, faz tempo que não me divirto tanto, só mesmo um cara como você podia me fazer divertir assim – Deu-lhe um rápido beijo na face. – Chega Ricardo, quero ir embora.
– Mais alguns passos…
– Mas este cemitério não acaba mais, já andamos quilômetros! – Olhou para atrás. – Nunca andei tanto, Ricardo, vou ficar exausta.
– A boa vida te deixou preguiçosa. Que feio – lamentou ele, impelindo-a para frente. – Dobrando esta alameda, fica o jazigo da minha gente, é de lá que se vê o pôr do sol. – E, tomando-a pela cintura: – Sabe, Raquel, andei muitas vezes por aqui de mãos dadas com minha prima. Tínhamos então doze anos. Todos os domingos minha mãe vinha trazer flores e arrumar nossa capelinha onde já estava enterrado meu pai. Eu e minha priminha vínhamos com ela e ficávamos por aí, de mãos dadas, fazendo tantos planos. Agora as duas estão mortas.
– Sua prima também?
– Também. Morreu quando completou quinze anos. Não era propriamente bonita, mas tinha uns olhos…Eram assim verdes como os seus, parecidos com os seus. Extraordinário, Raquel, extraordinário como vocês duas…Penso agora que toda a beleza dela residia apenas nos olhos, assim meio oblíquos, como os seus.
– Vocês se amaram?
– Ela me amou. Foi a única criatura que…- Fez um gesto. – Enfim não tem importância.
Raquel tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o
– Eu gostei de você, Ricardo.
– E eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença?
Um pássaro rompeu o cipreste e soltou um grito. Ela estremeceu.
– Esfriou, não? Vamos embora.
– Já chegamos, meu anjo. Aqui estão meus mortos.
Pararam diante de uma capelinha coberta de alto a baixo por uma trepadeira selvagem, que a envolvia num furioso abraço de cipós e folhas. A estreita porta rangeu quando ele a abriu de par em par. A luz invadiu um cubículo de paredes enegrecidas, cheias de estrias de antigas goteiras. No centro do cubículo, um altar meio desmantelado, coberto por uma toalha que adquirira a cor do tempo. Dois vasos de desbotada opalina ladeavam um tosco crucifixo de madeira. Entre os braços da cruz, uma aranha tecera dois triângulos de teias já rompidas, pendendo como farrapos de um manto que alguém colocara sobre os ombro do Cristo. Na parede lateral, à direita da porta, uma portinhola de ferro dando acesso para uma escada de pedra, descendo em caracol para a catacumba.
Ela entrou na ponta dos pés, evitando roçar mesmo de leve naqueles restos da capelinha.
– Que triste é isto, Ricardo. Nunca mais você esteve aqui?
Ele tocou na face da imagem recoberta de poeira. Sorriu melancólico.
– Sei que você gostaria de encontrar tudo limpinho, flores nos vasos, velas, sinais da minha dedicação, certo?
– Mas já disse que o que eu mais amo neste cemitério é precisamente esse abandono, esta solidão. As pontes com o outro mundo foram cortadas e aqui a morte se isolou total. Absoluta.
Ela adiantou-se e espiou através das enferrujadas barras de ferro da portinhola. Na semi-obscuridade do subsolo, os gavetões se estendiam ao longo das quatro paredes que formavam um estreito retângulo cinzento.
– E lá embaixo?
– Pois lá estão as gavetas. E, nas gavetas, minhas raízes. Pó, meu anjo, pó- murmurou ele. Abriu a portinhola e desceu a escada. Aproximou-se de uma gaveta no centro da parede, segurando firme na alça de bronze, como se fosse puxá-la. – A cômoda de pedra. Não é grandiosa?
Detendo-se no topo da escada, ela inclinou-se mais para ver melhor.
– Todas estas gavetas estão cheias?
– Cheias?…- Sorriu.- Só as que tem o retrato e a inscrição, está vendo? Nesta está o retrato da minha mãe, aqui ficou minha mãe- prosseguiu ele, tocando com as pontas dos dedos num medalhão esmaltado, embutido no centro da gaveta.
Ela cruzou os braços. Falou baixinho, um ligeiro tremor na voz.
– Vamos, Ricardo, vamos.
– Você está com medo?
– Claro que não, estou é com frio. Suba e vamos embora, estou com frio!
Ele não respondeu. Adiantara-se até um dos gavetões na parede oposta e acendeu um fósforo. Inclinou-se para o medalhão frouxamente iluminado:
– A priminha Maria Emília. Lembro-me até do dia em que tirou esse retrato. Foi umas duas semanas antes de morrer… Prendeu os cabelos com uma fita azul e vejo-a se exibir, estou bonita? Estou bonita?…- Falava agora consigo mesmo, doce e gravemente.- Não, não é que fosse bonita, mas os olhos…Venha ver, Raquel, é impressionante como tinha olhos iguais aos seus.
Ela desceu a escada, encolhendo-se para não esbarrar em nada.
– Que frio que faz aqui. E que escuro, não estou enxergando…
Acendendo outro fósforo, ele ofereceu-o à companheira.
– Pegue, dá para ver muito bem…- Afastou-se para o lado.- Repare nos olhos.
– Mas estão tão desbotados, mal se vê que é uma moça…- Antes da chama se apagar, aproximou-a da inscrição feita na pedra. Leu em voz alta, lentamente.- Maria Emília, nascida em vinte de maio de mil oitocentos e falecida…- Deixou cair o palito e ficou um instante imóvel – Mas esta não podia ser sua namorada, morreu há mais de cem anos! Seu menti…
Um baque metálico decepou-lhe a palavra pelo meio. Olhou em redor. A peça estava deserta. Voltou o olhar para a escada. No topo, Ricardo a observava por detrás da portinhola fechada. Tinha seu sorriso meio inocente, meio malicioso.
– Isto nunca foi o jazigo da sua família, seu mentiroso? Brincadeira mais cretina! – exclamou ela, subindo rapidamente a escada. – Não tem graça nenhuma, ouviu?
Ele esperou que ela chegasse quase a tocar o trinco da portinhola de ferro. Então deu uma volta à chave, arrancou-a da fechadura e saltou para trás.
– Ricardo, abre isto imediatamente! Vamos, imediatamente! – ordenou, torcendo o trinco.- Detesto esse tipo de brincadeira, você sabe disso. Seu idiota! É no que dá seguir a cabeça de um idiota desses. Brincadeira mais estúpida!
– Uma réstia de sol vai entrar pela frincha da porta, tem uma frincha na porta. Depois, vai se afastando devagarinho, bem devagarinho. Você terá o pôr do sol mais belo do mundo.
Ela sacudia a portinhola.
– Ricardo, chega, já disse! Chega! Abre imediatamente, imediatamente!- Sacudiu a portinhola com mais força ainda, agarrou-se a ela, dependurando-se por entre as grades. Ficou ofegante, os olhos cheios de lágrimas. Ensaiou um sorriso. – Ouça, meu bem, foi engraçadíssimo, mas agora preciso ir mesmo, vamos, abra…
Ele já não sorria. Estava sério, os olhos diminuídos. Em redor deles, reapareceram as rugazinhas abertas em leque.
– Boa noite, Raquel.
– Chega, Ricardo! Você vai me pagar!… – gritou ela, estendendo os braços por entre as grades, tentando agarrá-lo.- Cretino! Me dá a chave desta porcaria, vamos!- exigiu, examinando a fechadura nova em folha. Examinou em seguida as grades cobertas por uma crosta de ferrugem. Imobilizou-se. Foi erguendo o olhar até a chave que ele balançava pela argola, como um pêndulo. Encarou-o, apertando contra a grade a face sem cor. Esbugalhou os olhos num espasmo e amoleceu o corpo. Foi escorregando.
– Não, não…
Voltado ainda para ela, ele chegara até a porta e abriu os braços. Foi puxando as duas folhas escancaradas.
– Boa noite, meu anjo.
Os lábios dela se pregavam um ao outro, como se entre eles houvesse cola. Os olhos rodavam pesadamente numa expressão embrutecida.
– Não…
Guardando a chave no bolso, ele retomou o caminho percorrido. No breve silêncio, o som dos pedregulhos se entrechocando úmidos sob seus sapatos. E, de repente, o grito medonho, inumano:
– NÃO!
Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado. Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria agora qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda.

G2 – 17 – 3º ano A

Limpeza do rio Tietê recolhe toneladas de lixo acumulado em Salto

O tempo está colaborando e a limpeza do rio Tietê continua no município de Salto (SP) nesta segunda-feira (28). Em três dias de operação, foram retiradas 2,5 toneladas de lixo em um local em que passa o rio, próximo a Ponte Pênsil, que é onde a sujeira fica represada. A prioridade é coletar objetos pequenos como garrafas que vão direto para o aterro sanitário do município. Pedaços de madeira que ocupem muito espaço serão doados para abastecer caldeiras das fábricas de cerâmica da região.

Cada sacola cheia retirada das pedras é espaço mais livre para que a água corra quando voltar o período de cheia. Mas, ainda há muito para ser feito. “Se a gente não faz isso agora, depois que o rio voltar ao nível normal vai ficar impossível, então temos que aproveitar a estiagem e ver nela uma oportunidade”, diz o secretário municipal de Meio Ambiente, João de Conti Neto.

A descida de rapel não é mais novidade para os garis e objetos inusitados são “caçados”: tênis, bolas, roupas velhas e até óculos já foram retirados do leito seco do rio. “Ainda tem muitos resíduos para ser retirado e tem também o outro lado da ilha. A gente já está preparando uma operação com tirolesa também para passar o material para o lado de cá e não ter que passar pelo rio”, explica João de Conti Neto, secretário do Meio Ambiente.

A maior seca do rio Tietê nos últimos 70 anos revelou um cenário que é o retrato da falta de cuidado com o meio ambiente: a água baixou de uma forma impressionante e é possível ver uma grande quantidade de lixo acumulado durante anos de poluição.

Todo o tipo de material que vem pelo rio pode ser encontrado: é possivel ver garrafas pet, embalagens e resíduos. A sujeira ficou mais visível depois da maior estiagem das últimas décadas. Tudo está acumulado há muito tempo, mas ninguém sabe ao certo desde quando.

Salto organiza nova operação para a limpeza da outra margem do rio (Foto: Reprodução/TV Tem)Salto organiza nova operação para a limpeza da outra margem do rio (Foto: Reprodução/TV Tem)

 

Renan Pereira Milani nº 33    3ºB